Setembro mês da Bíblia

 

Você sabe porque setembro é o Mês da Bíblia?

O mês de setembro, para nós católicos do Brasil é o mês dedicado à Bíblia, isso desde 1971. Mas desde 1947, se comemora o Dia da Bíblia no ultimo domingo de setembro. O mês de setembro foi escolhido como mês da Bíblia porque no dia 30 de setembro é dia de São Jerônimo (ele nasceu em 340 e faleceu em 420 dC).

São Jerônimo foi um grande biblista e foi ele quem traduziu a Bíblia dos originais (hebraico e grego) para o latim, que naquela época era a língua falada no mundo e usada na liturgia da Igreja. Hoje a Bíblia é o único livro que está traduzido em praticamente todas as línguas do mundo e está em quase todas as casas, talvez nem fazemos ideia, mas a Bíblia é o livro mais vendido, distribuído e impresso em toda a história da humanidade.
A Bíblia – Palavra de Deus – é o fruto da comunicação entre Deus que se revela e a pessoa que acolhe e responde à revelação. Por isso a Bíblia é formada por histórias de um povo, o Povo de Deus, que teve o dom de interpretar sua realidade à luz da presença de Deus e compreender que a vida é um projeto de amor que parte de Deus e volta para Ele.

Nesse mês da Bíblia somos convidados a estudar e refletir sobre esse maravilhoso livro que têm tanto a nos revelar e instruir.

 

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SAGRADAS ESCRITURAS

Curso Bíblico ( Autor: Eldécio Luiz da Silva, Diocese de Caratinga do regional Leste II)

Este curso visa dar uma visão geral da Bíblia para ajudar catequistas, pessoas que trabalham nas pastorais, coordenadores e presidentes de celebrações no trabalho que desenvolvem com muito carinho e dedicação na paróquia. É  uma oportunidade de estarmos refletindo em comunidade a Palavra de Deus e abrindo horizontes para um amadurecimento de nossa fé. Tendo uma pequena noção de Bíblia fica fácil trabalhar em nossa comunidade, fazendo o Reino de Deus crescer em nosso meio, pois “Tua palavra é lâmpada para os meus pés , e luz para o meu caminho” Sl 119.

SUMÁRIO

PRIMEIRA PARTE

O que é Bíblia.

O que levou o povo a escrevê-la.

A História do povo de Israel.

Como ela é dividida.

Visão geral do Antigo Testamento.

Estudo do Pentateuco.

SEGUNDA PARTE

Gênesis = Paraíso: Mito ou Realidade?

Êxodo: Deus na história da libertação dos homens.

Visão geral do Novo Testamento.

Mateus e Marcos.

TERCEIRA PARTE

Lucas e Atos.

Paulo: sua vida.

João e Apocalipse.

A BÍBLIA

- A Bíblia é o principal livro do cristão. Ela é a fonte de nossa fé. Ela é para nós como um coco de casca dura. Esconde e protege uma água que mata a sede do romeiro cansado. Romeiros e peregrinos somos nós. E cansados também! Então vamos procurar o facão que nos quebre a casca deste coco.

- A Bíblia nasceu da vontade do povo de ser fiel a Deus e a si mesmo, nasceu da preocupação de transmitir aos outros e a nós esta vontade de ser fiel.

- A palavra Bíblia chegou a nós através do latim Bíblia, palavra que vem da língua grega biblia           , plural de biblion, diminutivo de biblos.

- A Bíblia é uma coleção de livros, muito mais uma biblioteca do que uma única composição literária.

- Os livros da Bíblia são chamados “livros sagrados” porque foram escritos por inspiração divina. Também chamados de “livros canônicos” para indicar que constam da relação autêntica dos livros sagrados, que se denominam exatamente “cânone”.

- A Bíblia se divide em Antigo e Novo Testamento. O termo testamento (latim testamentum) traduz o grego diaqhkh e o hebraico berît, “aliança”, significando o fato central da salvação, a antiga Aliança do Sinai e a nova Aliança de Jesus Cristo.

- A Bíblia se compõe de 73 livros: 46 do AT e 27 do NT. Há uma pequena dificuldade com relação ao número dos livros do AT. Às vezes o livro das Lamentações é considerado um só com o livro do profeta Jeremias. Nesse caso o AT fica com 45. Outras vezes o livro de Baruc também é considerado parte do livro de Jeremias. Nesse caso o AT fica com 44.

- A Bíblia começou a ser escrita por volta do ano 1250  a.c. e terminou em torno do ano 100 d.c..

- Ela foi escrita em três línguas: hebraico, aramaico e grego. O Antigo Testamento foi escrito, em sua maior parte, em hebraico. 2 Mc, Sb, Dn 13 e 14 foram escritos em grego; Jt, Br, Eclo e 1 Mc foram em hebraico mas estão conservados em grego (embora extensos fragmentos de Eclo em hebraico tenham sido descobertos desde 1896); os textos de Qumrã fazem pensar que Tb tenha sido escrito em aramaico; Jr 10,11; Esd 4, 8-6, 18; 7, 12-26; Dn 2, 4-7,28 foram escritos em aramaico. O Novo Testamento foi escrito em grego.

- A Bíblia hebraica foi dividida em capítulos e seções para a leitura na sinagoga, antes da era cristã. A divisão moderna e a numeração em capítulos são atribuídas a Estevão Langton (+1228), professor em Paris e mais tarde Arcebispo de Canterbury; talvez ele tenha utilizado uma divisão já existente. A divisão moderna do Antigo Testamento em versículos foi realizada por Sante Pagnini O. P., em sua Bíblia latina de 1528; o redator parisiense Robert Etienne adotou a numeração de Pagnini e numerou os versículos do Novo Testamento em sua edição de 1555.

_ A Bíblia foi impressa pela primeira vez (em latim) por Gutemberg (Mogúncia, 1450); antes de 1500, já haviam sido publicadas mais de cem edições.

- Na época que a Bíblia foi escrita não existia papel. Ela foi escrita em papiro ou pergaminho. O papiro é uma erva da família das ciperáceas (Cyperus papyrus), própria das margens alagadiças do rio Nilo, na África, cujas compridas folhas forneciam hastes das quais se obtinha o papiro, material sobre o qual se escrevia. O pergaminho é uma pele de cabra, de ovelha ou outro animal, macerada em cal, raspada e polida, para servir de material de escrita.

- Não foi uma única pessoa que escreveu a Bíblia. Homens e mulheres, jovens e velhos, pais e mães de família, agricultores, pescadores e operários de várias profissões, gente que sabia ler e escrever e gente que só sabia contar histórias. Gente viajada e gente que nunca saiu de casa. Sacerdotes e profetas, reis e pastores, apóstolos e evangelistas. Todos contribuíram, cada um do seu jeito. Gente de toda classe, mas todos convertidos e unidos na mesma fé e amor.

- Na Bíblia encontram-se vários gêneros literários: leis, historias, crônicas, poesias, cânticos, provérbios, fábulas, novelas, etc.

- Depois do cativeiro babilônico, muitos judeus emigraram da Palestina para o Egito e outros lugares e foram esquecendo a língua materna, pois o grego é que era a língua internacional na época da dominação grega. Por isso no século III a.c. um grupo de sábios (72?) fez a tradução que é chamada de septuaginta. Essa tradução foi feita em Alexandria para a comunidade judaica dessa cidade, e dificilmente pode ser anterior a 250 a.c. Essa tradução foi muito usada pelos primeiros cristãos. Ela se tornou a Bíblia da Igreja na primeira geração de cristãos, e 300 das 350 citações do AT no NT são tiradas das septuaginta. Pelo fato de os cristãos usarem muito essa tradução, os judeus a rejeitaram e foram feitas novas traduções, como a de Áquila, Símaco, Teodocião, todas do século II d.c.

- Além da tradução grega, houve traduções latinas da Bíblia, por causa da necessidade dos cristãos que falavam o latim e não mais o grego. A mais importante delas, porém, é a Vulgata, nome dado desde o século XIII à versão latina feita por São Jerônimo (347 – 420).

- Na época em que foi feita a tradução grega dos Setenta, a lista (cânon) dos livros sagrados ainda não estava concluída. E assim aconteceu que a lista dos livros desta tradução grega ficou mais comprida do que a lista dos livros da Bíblia hebraica.

- Ora a diferença entre a Bíblia dos protestantes e a Bíblia dos católicos vem desta diferença entre a Bíblia hebraica da Palestina e a Bíblia grega do Egito. Os protestantes preferiram a lista mais curta e mais antiga da Bíblia hebraica, e os católicos, seguindo o exemplo dos apóstolos, ficaram com a lista mais comprida.

- Os livros que existem na Bíblia católica e não na protestante são sete e são chamados deuterocanônicos: Tobias, Judite, Sabedoria, 1 e 2 Macabeus, Baruc, Eclesiástico e os capítulos 10, 4 – 16, 24 de Éster e 3, 24 – 90; 13; 14 de Daniel.

- Como encontrar capítulos, versículos e os livros na Bíblia?

- Vírgula: separa capítulos de versículos.

- Hífen: significa até e indica seqüência de capítulos ou de versículos.

- Ponto e vírgula: separa capítulos e livros.

- Ponto: separa versículo de versículo, quando não seguidos.

- Letras do alfabeto: indicam pequenas divisões dentro dos versículos.

- Números ordinais: quando se fala capítulo e versículo, usa-se o número ordinal até o 10º inclusive. De 11 para cima, ou quando apenas se citam os números, usa-se o cardinal.

- Todas as edições da Bíblia trazem os mesmos 150 salmos. Sua numeração, porém, varia: existe a do texto hebraico e a da versão dos setenta (e também da Vulgata). Aconteceu o seguinte: a versão dos setenta juntou em um só os salmos 9 e 10, bem como os salmos 114 e 115, mas dividiu em 2 os salmos 116 e 147 do texto hebraico. Então as diferenças ficam assim:

 

Hebraico                                                       Grego

1 – 8                                                               1 – 8

9                                                                     9, 1 – 21

10                                                                   9, 22 ss

11 – 113                                                         10 – 112

114                                                                 113, 1 - 8

115                                                                 113, 9 ss

116, 1 - 9                                                       114

116, 10 ss                                                       115

117 – 146                                                       116 – 145

147, 1 – 11                                                     146

147, 12 ss                                                       147

148 – 150                                                       148 – 150

 

- A Bíblia se divide ainda em livros históricos, sapienciais ou didáticos e proféticos.

- Os cinco primeiros livros da Bíblia são chamados de Pentateuco.

- Históricos do AT: Josué, Juízes, Rute, I e II Samuel, I e II Reis, I e II Crônicas, Esdras, Neemias, Tobias, Judite, Éster, I e II Macabeus.

- Poéticos ou sapienciais ou didáticos (AT): Jó, Salmos, Provérbios, Eclesiastes, Cântico dos Cânticos, Sabedoria e Eclesiástico.

- Proféticos (AT): Isaías, Jeremias, Ezequiel, Daniel, Oséias, Joel, Amós, Abdias, Jonas, Miquéias, Naum, Habacuc, Sofonias, Ageu, Zacarias, Malaquias, Baruc.

- Históricos (NT): Os Evangelhos e os Atos dos Apóstolos.

- Didáticos (NT): Cartas (Rm, 1 Cor, 2 Cor, Gl, Ef, Fl, Cl, 1 Ts, 2 Ts, 1 Tm, 2 Tm, Tt, Fl, Hb, Tg, 1 Pd, 2 Pd, 1 Jo, 2 Jo, 3 Jo, Jd)

-          Profético (NT): Apocalipse.

 

O que é Bíblia.

            A Bíblia é um conjunto de livros escritos durante vários séculos. Ao pé da letra a palavra Bíblia significa “livrinhos”, pois é o plural da palavra grega biblíon (livrinho), que por sua vez é o diminutivo da palavra biblos (livro). Quem usou a primeira vez a palavra Bíblia para se referir às Sagradas Escrituras foi João Crisóstomo, no séc.IV d.C.

            Nela temos uma coleção de livros menores, diferentes entre si, cada qual contendo uma mensagem e procurando iluminar a vida do povo de Deus de acordo com a realidade de quando foram escritos.

            Devemos entender que ela não caiu do céu prontinho. Ela surgiu da terra, da vida do povo de Deus. Surgiu como fruto da inspiração divina e do esforço humano.

            Podemos dizer que a Bíblia nasceu da vontade do povo, o Povo de Israel, que era escravo no Egito e experimentou a bondade de Deus.

            Quem a escreveu foram homens e mulheres como nós. Os livros que a compõe são diferentes exatamente porque procuravam responder a realidades diversas de cada momento histórico. Ela conta os acontecimentos que vão desde a experiência com Abraão até a perseguição dos primeiros cristãos. Mais de 2000 anos de experiência.

            A Bíblia não é só um conjunto de livros, mas cada livro é um conjunto de trechos, cada qual com uma história muito rica.

            A redação final da Bíblia realizou-se na época do exílio. Pode-se dizer, aproximadamente, que o período decisivo que a define tal como ela é hoje, vai de meados do séc. V ao fim do séc. IV ou início do séc. II a.C.

            É o livro mais conhecido do mundo, já foi traduzido para mais de 1685 línguas. Mas sua língua oficial, ou melhor línguas, foram: hebraico, aramaico e grego.

 

O que levou o povo a escrevê-la.

            Como já dissemos, ela foi escrita por homens e mulheres iguais a nós. Uma grande parte destas pessoas não tinham, consciência de estar falando ou escrevendo a Palavra de Deus. Estavam só querendo prestar um serviço aos irmãos em nome de Deus. Eles eram pessoas que faziam parte de uma comunidade, de um povo em formação onde a fé em Deus e a prática da justiça eram ou deviam ser o eixo da vida.

            Preocupados em animar esta  fé e a promover esta justiça, eles falavam e argumentavam para instruir aos irmãos, para criticar abusos, para denunciar desvios, para re-lembrar a caminhada já feita e apontar novos rumos. Alguns deles chegaram a escrever, eles mesmos, as suas palavras ao povo. Outros nem sabiam escrever. Só sabiam falar e animar a fé pelo seu testemunho. As palavras destes últimos foram transmitidas oralmente, de boca em boca durante muitos anos. Só bem mais tarde outras pessoas decidiram fixá-las por escrito. É interessante que o povo da Bíblia achou mais fácil falar do divino como se fosse humano, a essa escrita e interpretação damos o nome de antropomorfismo.

            A cultura onde ela foi gerada precisa ser levada em consideração. É um povo de linguagem vigorosa, que gosta de expressar-se por contrastes extremos. Usa uma linguagem emocional, detalhada, não a fria objetividade dos relatórios científicos.

            Faz-se necessário lembrar que ela não foi escrita num mesmo lugar, mas em muitos lugares diferentes. A maior parte do Antigo Testamento (AT) e do Novo Testamento (NT) foi escrita na Palestina, a terra onde o povo vivia, por onde Jesus passou e onde nasceu a Igreja.

            Algumas partes do AT foram escritas na Babilônia, onde o povo viveu no cativeiro no séc. VI a.C, outras partes foram escritas no Egito para onde muita gente tinha emigrado depois do cativeiro.

            O NT tem partes que foram escritas na Síria, na Ásia Menor, na Grécia e na Itália, onde havia muitas comunidades fundadas ou visitadas pelo apóstolo Paulo.

            Os costumes, a cultura, a religião, a situação econômica, social e política de todos estes povos deixaram marcas na Bíblia e tiveram a sua influência na maneira de a Bíblia apresentar a mensagem de Deus aos homens.

            A maior parte do AT foi escrita em hebraico, pois era a língua que se falava na Palestina antes do cativeiro, apenas o livro de Sabedoria foi escrito em grego, e uma parte pequena foi escrita em aramaico.

            Todo o NT foi escrito em grego, pois era a nova língua do comércio que invadiu o mundo naquela época.

            A Bíblia como a temos hoje é graças a várias traduções como: Setenta, Vulgata, Vetus Latina, e é claro devido ao Concílio Vaticano II que quis cada povo celebrando em sua língua pátria a Palavra de Deus.  

 

A História do povo de Israel

            Para se poder compreender o Antigo Testamento é importante que se conheça a história do povo hebreu, pois sabemos que é através deste povo que Deus se manifestou à humanidade, e preparou-a para receber o seu Filho amado.

1- Época patriarcal (séc. XVIII – XIII) – Israel tem sua origem nas migrações de arameus que, a partir do século XVIII a.c., desceram do norte para se estabelecer na Palestina. O Gênesis nos fala de Abraão, primeiro patriarca, que sai com sua família de Ur. Nesta época não podemos ainda falar de um povo, muito menos de uma nação. Eram grupos seminômades que começaram a povoar a Palestina, mas somente alguns desses grupos se tornaram sedentários, sobretudo os que se estabeleceram ao norte, às margens do lago da Galiléia. Os do centro e do sul tinham uma vida mais móvel e nas épocas de fome, eles baixavam ao Egito.

2- Saída do Egito e travessia do deserto (meados do século XIII) – Os grupos que se estabeleceram no Egito, com o passar do tempo, foram obrigados pelos faraós aos trabalhos forçados. Neste momento de opressão surge um personagem fundamental, Moisés, a quem Deus confia a missão de libertar seu povo.

3- Assentamento na Palestina – final do séc. XIII – Depois da travessia do deserto (onde o acontecimento capital é a aliança do Sinai), chega-se à estepe de Moab, diante da terra prometida. Após a morte de Moisés, Josué assume o comando, cruza o Jordão, conquista Jericó e aos poucos vai-se apoderando da Palestina.

4-A época dos juízes (1200 – 1020) – três características marcam esse período. Primeiro, a  falta de coesão política (cada tribo se organiza independentemente). Segundo, uma profunda mudança na forma de vida (o povo se torna mais sedentário). Terceiro, a contínua ameaça dos povos vizinhos, sobretudo dos filisteus.

5- A monarquia unida (1020 – 931) – Alguns pensavam que a monarquia era um atentado a Deus, único rei de Israel, e se opõem decididamente a ela. Apesar da oposições, Saul foi eleito rei e livra o povo da ameaça dos filisteus, pelo menos provisoriamente. No final do seu reinado, porém, foi derrotado pelos filisteus na batalha de Gelboé.

            A Saul sucede Davi. Primeiro ele foi escolhido rei do sul. Só depois de sete anos as tribos do norte pedem-lhe que reine também sobre elas. Foi ele quem conquistou e constituiu Jerusalém como capital do seu reino. Também ele terminou de conquistar as cidades cananéias e as anexou ao seu reino. Realizou uma política expansionista, submetendo os povos vizinhos.

            A sucessão de Davi é marcada por uma série de intrigas e derramamento de sangue entre seus próprios filhos. Sucede-lhe Salomão que reina quarenta anos (971 – 931). Este reinado é um dos momentos mais gloriosos da história de Israel. Salomão deixou de lado as guerras e realizou grandes construções. Mas, com o passar do tempo, ele obrigou o povo aos trabalhos pesados e colocou muitos impostos sobre o povo. Com isso, houve uma certa insatisfação, sobretudo nas tribos do norte, as quais não aceitam o filho de Salomão (Roboão) como rei. Acontece o fim da monarquia unida.

6- Os dois reinos (931 – 586) – Com o fim da monarquia unida, passam a existir dois reinos: o do norte (Israel) e o do sul (Judá). O do norte desaparece da história em 722, quando Salmanasar V, da Assíria, o conquista. Em seus 209 anos de existência, Israel teve nove dinastias e 19 reis, dos quais sete foram assassinados e um suicidou. Judá, que conseguiu sobreviver até 586, em 345 anos de existência teve somente uma dinastia (a de Davi) e 21 monarcas.

7- O exílio (586 – 538) – Em 597 acontece a primeira deportação para a Babilônia, a qual conquista definitivamente Jerusalém em 586 e deporta numerosos judeus para a Mesopotâmia. Começa, então, o período mais triste, só comparável à opressão do Egito.

8- O período persa (538 – 333) – O pesadelo do desterro termina no ano 538, quando Ciro, rei da Pérsia, conquista a Babilônia e promulga um decreto libertando todos os cativos e permitindo-lhes a volta à Palestina. O povo continua sem liberdade política, dominado pelos novos senhores do mundo antigo, os persas.

9- O período helenista (333 – 63) – Este período vai desde a conquista da Palestina por Alexandre Magno até a conquista de Jerusalém por Pompeu. Depois da morte de Alexandre, seu império foi dividido em quatro partes. As que interessam aos judeus são Egito (governado pelos Lágidas) e Síria (dominada pelos Selêucidas). A Palestina foi dominada pelos Lágidas no século III e pelos Selêucidas no século II. Nessa época aconteceu a revolta dos macabeus.

 

Como ela é dividida.

            Os 73 livros que se encontram na Bíblia cristã dividem-se em 2 grandes partes: Antigo e Novo Testamento. A palavra “testamento” vem da tradução grega para a palavra hebraica berit, que significa “aliança”, “pacto”. Na tradução grega de berit, de fato, encontramos a palavra diatheke, que significa “testamento”, “contrato”, “aliança”. As duas grandes partes se referem a Antiga e Nova Aliança entre Deus e seu povo. Para nós, cristãos, Jesus é o ponto de chegada do Antigo Testamento e o ponto de partida do Novo Testamento.

            Existe uma diferença entre a Bíblia católica e protestante. As protestantes não trazem os livros: Judite, Tobias, 1º e 2º Macabeus, Baruc, Eclesiástico e Sabedoria, Éster 10, 4-16, 24 e Daniel 13-14. Porque os protestantes só aceitam a Bíblia hebraica, e estes outros livros foram considerados inspirados num segundo momento, quando a Bíblia hebraica já estava bem formada.

            Os livros estão assim divididos:

Antigo Testamento:

*Pentateuco: Gn, Ex, Lv, Nm, Dt. 

*Livros Históricos: Js, Jz, Rt, 1 e 2 Sm, 1 e 2 Rs, 1 e 2 Cr, Esd, Ne, Tb, Jt, Est, 1 e 2Mc.

*Livros Sapienciais: Jó, Sl, Pr, Ecl, Ct, Sb, Eclo.

*Livros Proféticos: Is, Jr, Lm, Br, Ez, Dn, Os, Jl, Am, Ab, Jn, Mq, Na, Hab, Sf, Ag, Zc, Ml.

 

Novo Testamento:

*Os Evangelhos: Mt, Mc, Lc e Jo.

*Atos dos Apóstolos.

*As Cartas: Rm, 1 e 2 Cor, Gl, Ef, Fl, Cl, 1 e 2 Ts, 1 e 2 tm, Tt, Fm, Hb, Tg, 1 e 2 Pd, 1, 2 e 3 Jo, Jd.

*Apocalipse.

 

Visão geral do Antigo Testamento.

            O AT é um livro que se formou num período de tempo de mais de 1000 anos. Era a Bíblia de Jesus e seus Apóstolos. Mas no tempo de Jesus o AT ainda não tinha sido fixado na sua extensão definitiva. Só no Sínodo judaico da Jâmmia ( cerca do ano 90 d.C ) chegou-se a formação do cânon veterotestamentário.

            O AT além de ser a parte mais importante da literatura hebraica, pertence aos documentos mais veneráveis da humanidade. Não pode ser compreendido se se prescinde da história do povo de Israel, da legislação que regulava sua vida e das suas formas de expressão. Nele está uma variedade de literaturas.

            Contém 46 livros e está assim dividido:

# Gênesis: traz reflexões sobre as origens do mundo, do homem, do pecado e do povo de Deus.

# Êxodo: reflete sobre  a saída do povo hebreu do Egito sob a liderança de Moisés.

# Levítico: chama-se assim porque traz as leis do culto e as obrigações dos sacerdotes e levitas.

# Números: começa com a contagem do povo de Israel, faz um recenseamento.

# Deuteronômio: traz as reflexões sobre a releitura da Lei e sua nova proclamação. Convida a uma vida de conversão, penitencia e fidelidade.

            Estes 5  primeiros livros são chamados de “Penta -Teuco”, palavra grega que significa cinco livros. São chamados também de Torá (Lei) porque contém a Lei da Antiga Aliança.

# Livros Históricos: são 16 livros que narram histórias do Povo e seus líderes, como por exemplo, Josué, Juízes, Samuel e os Reis.

# Livros Sapienciais ou de Sabedoria: são 7 livros onde encontramos a expressão da sabedoria e dos sentimentos do Povo: ditados, poesias, cantos, orações, hinos, provérbios, nos quais o povo registra seus sentimentos e expressa sua sabedoria tirada da experiência da vida.

# Livros Proféticos: são 18 livros que trazem a vida e a mensagem dos profetas, narram a formação do Povo da Bíblia com a vida, nome, lutas e a fé de seus heróis e do próprio povo.

            O AT era o livro lido nas primeiras comunidades. 

 

Estudo do Pentateuco.

            Na tradição judaica, os cinco primeiros livros da Bíblia são chamados Torá, ou Torá de Moisés.

            Torá significa orientação, exortação, mais tarde passou a significar Lei. Esses livros não são códigos legislativos, mas contém a maioria das leis bíblicas referentes a toda vida do povo.

            Na tradição crista esses livros são chamados de Pentateuco. Penta = cinco, Teuchos = estojo onde se conservavam os rolos de papiro ou pergaminho.

            Na realidade o Pentateuco é um único livro. Para facilitar o manuseio, esse grande livro, ou melhor, rolo, foi dividido em cinco partes. Não sabemos quando aconteceu essa divisão, mas podemos supor que foi feita na redação final do texto, ocorrida no séc. V aC. De fato, a tradução grega da Bíblia Hebraica, a Setenta, feita no séc. III aC, possui essa divisão.

            O início dessa grande obra não cria maiores dificuldades. Começa com a criação do mundo, em Gn 1,1. A dificuldade está em precisar sua conclusão.

            Alguns autores propõem acrescentar a esses cinco livros o livro de Josué, teríamos então um Hexateuco. A razão é que o Deuteronômio termina com a morte de Moisés e não narra a entrada na Terra prometida, essa só é contada no livro de Josué. Outros autores, ao contrario, preferem falar em Tetrateuco, excluindo o Deuteronômio, a razão é que o este livro é a introdução da chamada História Deuteronomista, que compreende os livros de Js, Jz, Sm e Rs.

            Embora essa última proposta tenha, hoje, muitos adeptos, continuamos falando de Pentateuco.

            Em relação ao autor, a tradição judaica, o NT e a tradição cristã sempre consideram Moisés o autor do Pentateuco.

            As afirmações mais explícitas da autoria mosaica do Pentateuco aparecem em escritos judeus extrabíblicos, como a “Vida de Moisés”, de Filão de Alexandria ( + 45 dC ) e “Antiguidades Judaicas”, de Flávio José ( + 90 dC). 

            Se Moisés não pode ser considerado o autor do Pentateuco, a quem atribuí-lo ?

            Atualmente se admite que o Pentateuco é formado por quatro documentações ou tradições:

1º- o documento Javista, escrito no séc. IX aC no reino de Judá.

2º- o documento Eloísta, datado no séc. VIII aC e composto no reino de Israel.

3º- o documento Deuteronomista, também do reino de Israel, escrito pelo séc. VII aC.

4º- o documento Sacerdotal, composto durante o Exílio, no séc. VI aC.

            Esses 4 documentos nasceram independentes um do outro e não foram unidos de uma só vez. Supõe-se pelo menos três redações do Pentateuco.

            A primeira uniu os documentos Javista e Eloísta. Aconteceu no reino de Judá após a destruição do reino de Israel, em 722, aC pelos assírios.

            Uma segunda redação aconteceu depois da reforma religiosa do rei Josias em 622 aC, acrescentando o documento Deuteronomista à redação anterior.

            A terceira redação aconteceu durante o Exílio (589 – 539), ou logo depois, quando o texto anterior recebeu o acréscimo do documento Sacerdotal.

            Portanto, o Pentateuco não é obra de Moisés, mas o resultado final da união de 4 documentos, escritos entre os séc. X ao VI aC.

            A teologia de cada um dos 4 documentos estão assim distribuídos:  

-          Javista: está presente nos livros de Gn, Ex,e Nm. Começa em Gn 2,4b e se estende até Nm 32. O texto base de sua teologia é Gn 12, 1-3, a vocação de Abraão.

-          Eloísta: também se encontra em Gn, Ex, e Nm. O primeiro texto eloísta do Pentateuco é Gn 15 e o último é a pericope de Balaão, em Nm 22. A teologia está centrada na aliança que Deus fez com Abraão e especialmente com Moisés no Sinai.

-          Deuteronomista: esta presente apenas no livro do Deuteronômio. O ponto central é a eleição divina: Deus escolheu Israel como seu povo.

-         Sacerdotal: começa em Gn 1,1 e se estende até Dt 34. portanto está presente em todos os livros do Pentateuco. Seu ponto central é a aliança do Sinai, com todas as suas leis que faz de Israel uma comunidade santa.

 

O livro do Gênesis:

         O primeiro livro da Bíblia recebeu o nome de Gênesis porque narra a gênese, isto é, a origem do mundo, dos seres humanos, do pecado, do ódio, das raças humanas e do povo de Israel. Seus escritos datam entre os séculos IX e VI aC, sua redação final aconteceu no séc. V aC.

            Está assim dividido:

1a parte: Gn 1-11 é a história das origens da humanidade.

2a parte: Gn 12-25 é a história dos patriarcas Abraão, Isaac, Jacó e  José ( um dos filhos de Jacó).

            O livro começa narrando a história da criação do mundo e de todos os seres vivos. A criação não é mero capricho de Deus, mas um gesto de amor. A semana é apenas um artifício literário para ensinar que tudo o que existe é obra de Deus e quer reforçar o descanso sabático.

            O ápice desta criação e portanto desta narração é a criação do homem e mulher à imagem e semelhança de Deus. Ser imagem e semelhança de Deus significa ser dotado de vontade e liberdade. Depois mostra a entrada e evolução do pecado atingindo a família com o assassinato de Abel. Para conter o avanço do pecado vem o dilúvio.

            Com a historia da Torre de Babel, o autor sagrado mostra como os homens novamente tentam ocupar o lugar de Deus e são espalhados por toda a terra.

            A seguir o texto apresenta Abraão, um pastor seminômade de Ur da Caldéia, que por inspiração divina deixa sua terra e sua família e vai a procura da terra prometida.

            O objetivo do redator não descrever os fatos em si mesmos, mas descobrir neles a presença divina.

            O livro traz uma série de ensinamentos importantes. Estão apenas alguns elencados:

- Tudo o que existe foi criado por Deus criado com sabedoria e amor, portanto todas as criações são boas.

- Deus existe antes de todo tempo, é eterno, não foi criado.

- Homem e mulher são imagem e semelhança de Deus e , como tal, são os senhores de toda criação.

- A mulher é companheira do homem, ambos são uma só carne.

- Todo mal que existe no mundo é conseqüência da desobediência de todos nós seres humanos.

- Apesar do pecado, Deus não abandona a sua criatura., mas estabelece uma  ralação amorosa.

- Assim, Deus não está longe e alheio à vida humana, mas participa de nossa história.

 

O livro do Êxodo:

            Na Bíblia hebraica, esse livro se chama Nomes, porque começa relatando os nomes dos filhos de Jacó que desceram, para o Egito.

            Na Bíblia grega recebeu o titulo de Êxodo, que significa saída. Esse titulo resume o conteúdo do livro, a saída ou libertação dos israelitas do Egito. Porém, o livro não narra apenas a saída do Egito, mas sobretudo, a manifestação de Deus na montanha do Sinai e a Aliança. A libertação é narrada nos 15 primeiros capítulos.

            O livro é a continuação do Gênesis, após descrever rapidamente a situação humilhante dos israelitas no Egito, o livro começa a narrar a história do libertador, Moisés.

            Descreve a travessia entre o Egito e o monte Sinai, termina narrando a construção da Tenda ou Tabernáculo, onde Deus habitará.

            O livro está assim dividido:

◙ Libertação do Egito

◙ Caminho pelo deserto do Sinai.

◙ A Aliança do Sinai.

            A historicidade dos fatos narrados são aceitos unanimemente. Mas trata-se de uma história religiosa e de caráter popular, redigida muito tempo depois dos acontecimentos.

            O livro procura ressaltar a intervenção providencial de Deus na libertação e formação do povo eleito. Por isso, o autor sagrado deixa de lado as causas naturais dos acontecimentos e descreve tudo com ação milagrosa de Deus. Não se pode negar a ação divina na libertação de Israel da opressão do Egito, mas não se pode dizer que tudo aconteceu por uma série de intervenções milagrosas durante quarenta anos.  

            Podemos dizer que este livro é ponto central do AT, é o Evangelho do AT. Como os Evangelhos este livro contém a Boa Nova da libertação. A experiência fundamental do povo de Israel é a experiência do deus Libertador.

            Por isso, as narrações do Êxodo tornaram-se o protótipo de todas as outras libertações. Ainda hoje, estas narrações exercem grande influência. O faraó tornou-se símbolo de todas as opressões e alienações atuais; Israel representa os oprimidos e marginalizados. O próprio NT serve-se muitas vezes da temática do Êxodo. O Concilio Vaticano II definiu a Igreja como “povo peregrino” em busca da Pátria Celeste.

 

O livro do Levítico.

            Esse título faz referência ao conteúdo do livro, que é um grande código de leis, na sua maioria referentes ao culto e ao sacerdócio. Todos sacerdotes judeus eram da tribo de Levi. Daí o nome do livro: levítico, isto é, da tribo de Levi, ou seja os sacerdotes e levitas. Podemos dizer que o livro é um grande ritual, em que se descrevem os sacrifícios, as festas, as ofertas, a consagração dos sacerdotes, o comportamento de todo povo diante de seu Deus.

            O livro está situado no coração do Pentateuco como se fosse o coração da Lei. Todas as leis nele recolhidas são consideradas como dadas por Deus no monte Sinai durante a celebração da Aliança. Mas uma análise mais profunda mostra que o livro contém leis muito posteriores, que foram reunidas e colocadas no contexto da aliança do Sinai.

            O livro pode ser dividido em duas grandes partes:

1a – Parte cultual, com leis referentes ao culto (Lv 1-16).

2a – Parte legal, contendo leis que abrangem toda a vida do povo (Lv 17-26).

            A primeira parte pode ser assim subdividida:

a) – Lv 1-7 – Leis sobre os sacrifícios: o holocausto,  oblações, sacrifícios de comunhão, expiação e reparação.

b) – L v 8-10 – Leis sobre os sacerdotes.

c) – Lv 11-16 – Leis sobre a pureza e impureza.

            A segunda parte pode ser chamada de Código de Santidade. A santidade deve abranger todos os níveis da vida do povo: social, cultual e temporal.

            O capítulo 27 é um apêndice com normas sobre votos e tarifas.

            Este livro é importante para uma compreensão do AT e do NT. Não podemos esquecer que Jesus, os Apóstolos e a igreja Primitiva seguiram muitas das prescrições aí descritas. Podemos também entender a atitude de Jesus contra os fariseus que insistiam, sobretudo nas questões de impureza e pureza.

            Dentre muitos aspectos doutrinais, elencamos estes:

► O culto: é a concretização essencial do sacrifício. Oferecer sacrifícios é uma prática cultual muito antiga, comum a muitos povos. São um meio essencial de aproximar o homem de Deus.

► A importância da santidade: o conceito de santidade é, ainda, muito imperfeito; atém-se ao exterior das pessoas, contatos, alimentos, comportamentos. Mas essa santidade exterior deve ser reflexo da santidade interior. Não se trata de uma santidade religiosa, mas abrange toda a vida das pessoas. 

► O pecado: é visto como uma transgressão da Lei. Desobedecê-la é afastar-se de Deus. Por isso, o livro insiste tanto na necessidade de expiação, purificação para restabelecer a comunhão com Deus. Muitas destas Leis preservavam a saúde e o bem-estar do povo. Tinham o objetivo de eliminar muitas doenças, não por ritos mágicos, mas por meios naturais.

            Por mais estranho que pareça, o Levitico é um livro importante na historia da salvação. Não se explica por si mesmo, mas deve ser entendido no contexto global do AT.   

 

O livro de Números.

            Na Tradição hebraica, esse livro é denominado Deserto, justamente porque narra a travessia do deserto pelos israelitas. Porém na tradução grega, recebeu o nome de Números por causa dos recenseamentos apresentados, sobretudo nos capítulos 1-4 e 26.

            O livro está intimamente unido aos livros do Ex e do Dt, a unidade do livro se deve ao quadro geográfico, isto é, o deserto entre o monte Sinai e as estepes da região de Moab, começa com uma indicação cronológica.

            Descreve os últimos vinte dias passados no monte Sinai, os trinta e oito anos no deserto perto de Cades Barnéa e os seis meses na região de Moab.

            Os últimos acontecimentos no monte Sinai antes da partida são o recenseamento dos homens aptos para a guerra; a disposição das várias tribos no acampamento; uma série de prescrições sobre os levitas e outras leis; a celebração da páscoa; a apresentação da nuvem que cobre o tabernáculo. Logo depois, começa a marcha pelo deserto sob a direção do sogro de Moisés, que conhecia bem a região, pois era morador do Sinai.

            A seguir, o livro apresenta as murmurações e lamentações do povo pelas dificuldades da viagem. Depois apresenta uma série de prescrições sobre as ofertas de alimento em alguns sacrifícios e sobre a violação do Sábado.

Em seguida narra a historia do adivinho Balaão que ao invés de amaldiçoar, bendiz o povo de Israel;  depois a idolatria dos israelitas provocada pelas mulheres de Moab e Madian, o castigo divino e o zelo de Finéias, neto de Aarão. É feito um novo recenseamento para dividir a terra prometida. Depois narra a história de Josué, a vitória sobre os madianitas, a divisão da Transjordânia, a retrospectiva das etapas do caminho pelo deserto, divisão de Canaã,  termina dando disposições sobre as cidades refúgios para os homicidas e sobre a herança das mulheres casadas. 

O livro pode ser dividido em três partes, tendo como base os três principais lugares onde os israelitas acamparam: o monte Sinai (aproximadamente 20 dias), Cades Barnéa (38 anos) e as planícies de Moab (mais ou menos 6 meses):

1a – Parte: Nm 1-10,10 – no monte Sinai.

2a – Parte: Nm 10, 11-21 – no deserto entre o monte Sinai e a região de Moab.

3a – Nm 22-36 – nas planícies de Moab.

            O livro apresenta o Israel do deserto como Israel ideal. Mas nem por isso deixa de narrar as revoltas sob as mais variadas formas: murmurações, desânimo, rejeição da mediação de Moisés, descrença, etc.  Na teologia do autor, o deserto é o lugar em que Deus habita e caminha com seu povo, mas é também o lugar do pecado, da ingratidão, da revolta contra Deus.  

 

O livro do Deuteronômio.

        O último livro do Pentateuco recebeu este nome que significa exatamente segunda (deuteros) lei (nomos).

            Na realidade, não se trata de uma segunda Lei, mas de uma segunda cópia da Lei. A maior parte do livro é formada por leis que repetem muitas vezes as apresentadas em Ex e Lv.

            Na Bíblia Hebraica, esse livro é denominado Palavras, com referência aos discursos de Moisés nele contidos.

            Sua colocação no final do Pentateuco se deve à sua geografia e cronologia. É situado na região de Moab, no último ano da peregrinação pelo deserto, pouco antes da entrada na terra prometida.

            O livro é formado por três discursos de Moisés, pronunciados em Moab pouco antes de sua morte. O objetivo dos discursos é confirmar a aliança do Sinai:

● primeiro discurso de Moisés – Dt 1, 1-4, 40.

● segundo discurso de Moisés (primeira parte) Dt 4, 41-11,32.

● segundo discurso de Moisés (segunda parte) Dt 26, 16-28, 69

● terceiro discurso de Moisés – Dt 29, 1-30, 20

● apêndice histórico – Dt 31-34.

            Embora os discursos do Deuteronômio sejam atribuídos a Moisés, seus verdadeiros autores e destinatários não viveram no século XIII a C., mas provavelmente no século VIII. O livro foi se formando gradativamente entre 750 e 400 a C.

            Provavelmente o núcleo central do livro (4, 1-28; 5, 1-9, 10; 12, 1-28, 46; 30, 11-20; 31, 9-13) foi redigido por um levita no reino de Israel nos meados do século VIII a C. Ele parece reunido a pregação de levitas itinerantes que percorriam o País, ensinando a Lei e relembrando a aliança do Sinai.

Por ocasião da destruição do reino de Israel, em 722 a C, o texto original do Deuteronômio foi trazido para o reino de Judá, talvez junto com o documento eloísta. Provavelmente o rei Ezequias (715-687 a C) serviu-se deste documento na sua reforma religiosa. O livro teria então recebido alguns acréscimos. Mas na reforma religiosa de Josias (640-609 a C), quando por ocasião da restauração do Templo (622 a C), se encontrou o Livro da Lei.  Os biblistas concordam em afirmar que este livro é o Deuteronômio.

Os dois grandes protagonistas do Livro são Deus e Israel. O Deus de Abraão, Isaac e Jacó que se revelou a Moisés no Monte Sinai, escolhendo para si um povo dentre todos os povos da terra. Esta escolha amorosa exige de Israel uma resposta amorosa.

Os homens se uenm por meio de pactos e alianças. Deus aceitou este modo dos homens se relacionarem e uniu-se a eles através da aliança.

Este importante tema perpassa todo o Pentateuco. Os escribas que fizeram a última redação dos cinco livros estruturaram todo o texto com base na teologia da aliança divididos em quatro períodos:

1 – A criação até Noé;

2 – De Noé a Abraão;

3 – De Abraão a Moisés;

4 – De Moisés a Josué.

A primeira é descrita em Gn 9,1-17, o arco-íris no céu é o seu sinal.

A aliança com Abraão foi depois renovada com Isaac e Jacó.

A aliança do Sinai é a mais importante de todas. Ela determina o nascimento do Povo de Deus.

Enquanto as alianças com Noé e Abraão eram muito mais uma promessa gratuita de Deus, a do Sinai requer maior participação humana.

A aliança de Siquém marca o quarto período. Josué propõe ao povo servir a Javé ou a outros deuses, o povo se compromete a servir exclusivamente a Javé.

 

O nome de Deus

Um dos acontecimentos mais importantes no início da libertação do Egito é a revelação do nome de Deus. O Deus (Elohim, El-Shadday) que escolheu Abraão e fez aliança com ele e com toda a sua posteridade revelou seu nome a Moisés. Assim, o Deus que liberta é o mesmo Deus de Abraão, Isaac e Jacó.

YHWH ou simplesmente Javé é uma forma verbal derivada do verbo ser (em hebraico bíblico hayah). É normalmente traduzido por “eu sou aquilo que sou”. Em hebraico ser não significa apenas existir, mas também estar presente, agir, por isso Deus está dizendo qual o seu modo de agir.

Ao vocalizar o tetragrama sagrado, os rabinos optaram pela vogais da expressão “meu Senhor”, em hebraico Adonai. Assim, da junção das consoantes YHWH e das vogais de Adonai, surgiu a palavra YAHOWAI, em português Jeová. Mas os judeus nunca pronunciam Jeová, e sim, Adonai, porque lêem somente as vogais e não as consoantes que são sagradas. Portanto, a palavra Jeová é uma pronúncia errada da palavra hebraica.       

 

 

  Gênesis = Paraíso: mito ou realidade?

         GÊNESIS é uma palavra grega que significa nascimento, origem. O primeiro livro da Bíblia foi chamado assim porque nele encontramos as narrativas sobre as origens do mundo, da humanidade e do povo de Deus.

            Poderíamos pensar que essas narrativas são histórias no sentido atual daquilo que o historiador faz. São antes reflexões do povo sobre suas origens e a origem das coisas. Fazendo isso, porém, o povo mantém um olho na sua realidade presente e outro no passado. O que vê aqui e agora, ele projeta no passado distante em até na origem. Seu interesse não é tanto dar uma explicação científica ou histórica sobre o passado, mas contar o passado para explicar a realidade que se vive no presente.

            Embora não seja história propriamente dita, devemos dizer que o seu conteúdo é muito mais profundo, pois busca analisar o que acontece no mais profundo da história e da vida.

            Podemos distinguir duas grandes partes neste livro. A primeira, formada pelos capítulos de 1 a 11 tem aspecto geral e visa mostrar as origens do mundo, da vida e do processo da história da humanidade dominada pela ambigüidade. A segunda é formada pelos capítulos 12 a 50, onde vamos encontrar conjunto de narrativas populares sobre as raízes distantes e obscuras da história do povo de Deus e também a vida dos patriarcas que subdivide-se em três ciclos de relato: Abraão (12 – 50), Isaac e sobretudo Jacó (26 – 36), e José (37 – 50).

            O autor que escreveu vive centenas de milhares de anos depois dos acontecimentos. Ele não está interessado no passado enquanto passado, mas sim na situação que está vivendo no seu tempo. Alguma coisa não funciona. O futuro corre perigo, algo deve ser feito. Este é o problema que o preocupa e que o levou a escrever. É profundamente realista.

            A intenção do autor pode ser resumida assim:

# percebe a situação desastrosa e denuncia o mal.

# não fica só na denuncia genérica, mas aponta responsabilidades.

# quer conscientizar.

# quer despertar para uma ação concreta.

# desperta a vontade de lutar e de resistir contra o mal.

            O autor percebe o mal de acordo com sua cultura, seu nível de consciência e sua sensibilidade.

            Ele não sabe como deveria ser o mundo, mas sabe que ele não deve ser como ele estava. E o mundo está assim é porque a humanidade, instigada pela serpente, comeu o fruto proibido.

            Comer o fruto proibido é ir contra a Lei de Deus, a serpente é o símbolo da religião Cananéia, que era uma religião agradável com o culto ritual do sexo, sem compromisso ético, apenas exigências de colocação de ritos.

               Esta era a grande tentação que aliciava o povo a refugiar-se no rito fácil e abandonar as exigências duras da Lei. Nisto se concretizava, no tempo do autor, a raiz do pecado do povo.  

            O autor quer levar as pessoas a tomarem consciência e fazer com que elas sigam outro caminho: o caminho da vida.

            Em relação a criação do mundo em 7 dias, está relacionado a um costume sacerdotal de preservar a identidade dos exilados.

            Diante da leitura deste livro surgem algumas perguntas: É mito ou realidade, é histórico ou pura imaginação?

            É realidade enquanto trata do destino da humanidade, é mito enquanto o autor usou linguagem e imagens míticas de seu tempo, para exprimir e transmitir essa realidade.

            Não se deve pensar que tenha existido o paraíso nos termos em que está descrito em Gn 2, 4-25. O que existiu, e ainda existe, é a possibilidade de o homem realizar a perfeita harmonia e paz, quando se deixa guiar pela luz e força de Deus.

            “Por que Deus não deu outra chance a Adão e Eva?” Ele continua dando essa chance hoje a todos nós. O paraíso existirá e se tornará “histórico” quando nós o quisermos e por ele trabalharmos.

            Em linhas gerais podemos dizer que o Paraíso Terrestre é uma confissão pública, um manifesto de resistência, um grito de esperança, um apelo a transformação do mundo.   

     

Êxodo: Deus na história da libertação dos homens.

 

O ângulo de visão da Bíblia ao descrever o êxodo

               Na Bíblia, existem muitas descrições do êxodo: nos livros do êxodo e números; no Deuteronômio; no livro da sabedoria (c.10-19); nos salmos 77, 104, 105, 133; referências freqüentes nos livros proféticos, sobretudo em Isáias (c. 40-55).e

               Portanto, o fato do êxodo é lembrado em livros de pessoas diferentes, elaborados em épocas diferentes, e é descrito em quase todas as formas literárias possíveis: prosa e poesia, história e profecia, hino e narração, liturgia e sabedoria. Sinal de que se trata de um fato extremamente para a vida do povo: todos dele falavam e todos o comentavam através dos séculos. Qual é o motivo desse interesse tão grande do povo êxodo.

               Esse motivo se descobre, analisando a maneira de eles falarem do êxodo.Na descrição desse fato, encontramos as seguintes particularidades que pedem uma explicação:1) repetições freqüentes dentro do livro do Êxodo (duas vezes a história do maná, das codornizes, da água que sai da rocha, da vocação de Moisés, da entrega do decálogo, etc); 2) exageros manifestos como,por exemplo, na poesia de Ex 15 e no livro da sabedoria, quando este descreve as pragas; 3) incertezas desconcertantes: o salmo 77 enumera 7 pragas, o salmo 104 conhece 8 pragas, enquanto o livro do Êxodo relata 10 pragas; mas é sabido que o livro do Êxodo se compõe de três tradições mais antiga: “javista” do século X com 7 pragas, “eloísta” do século IX-VIII com 5 pragas, e “sacerdotal” do século V ou VI com 5 pragas que não combinam com as 5 do “eloísta”; 4)uma acentuação progressiva no aspecto milagroso: o “javista” diz que só a água tirada do rio Nilo virou sangue (Ex 4,9), o “eloísta” diz que toda a água do Egito virou sangue(Ex 7,20), o “ sacerdotal” diz que toda a água do rio virou sangue (Ex 7,19), enquanto  no livro da sabedoria, do século I antes de Jesus Cristo, se dizem coisas mais fabulosas  ainda a respeito das pragas.

               Afinal, quantas foram as pragas? Dá a impressão de que o autor ou redator final do livro do Êxodo pensou em dez, achando que era um número bom. O que foi que aconteceu na realidade? Como se realizou a praga da água mudada em sangue? É possível saber o andamento concreto das coisas?

               Essas particularidades literárias, descobertas pela exegese moderna, revelam a seguinte preocupação ou ângulo de visão naquele que escreve: 1) A preocupação fundamental não é só contar a história e dar uma “reportagem jornalística” dos acontecimentos do êxodo, mas é, antes de tudo, transmitir, pela descrição da história, o sentido desta para a vida que não pára mas evolui constantemente. Não descreve, mas interpreta o fato. Por isso, não posso aceitar tudo ao pé da letra. A Bíblia me faria cair em contradições. Ela mesma não está interessada no aspecto material nem aceita tudo ao pé da letra, pois repete, exagera, aumenta, deixa incertezas. 2) O interesse fundamental da Bíblia, ou seja, o sentido que ela descobre nos fatos do êxodo, é que lá Deus se revelou ao povo e a ele se impôs como sendo o “Deus do Povo”. Desse contacto com Deus resultou para o povo um compromisso que deve ser observado. É o compromisso da aliança. Na maneira de descrever o fato, a Bíblia quer deixar transparecer essa dimensão divina e revelar que Deus estava presente e atuante naqueles acontecimentos. Assim se explica o aumento progressivo do aspecto milagroso das pragas: era o meio adequado para o leitor daquele tempo poder perceber a dimensão divina dos fatos.

               A seguinte comparação esclarece esse ponto. Há fotografia e há raios-X. Livros de história são como fotografias: descrevem aquilo que pode ser observado a olho nu. A Bíblia, porém, é como raios-X: revela na chapa o que não pode ser observado a olho nu. Ou seja, não é possível ver nem apalpar a presença atuante de Deus (cf. Jo 1, 18). Mas o raio-X da fé percebe e revela a sua presença. Há uma diferença entre o ângulo de visão do historiador comum e o da Bíblia. Eles não tem os mesmos instrumentos de medição e de observação. Por isso, os resultados da pesquisa de um e de outro são diferentes, embora não contraditórios: são aspectos diversos da mesma realidade. A descrição bíblica procura apresentar os fatos de maneira tal que o leitor perceba a dimensão divina do passa do e aprenda, a partira disso, a perceber e assumir a dimensão divina daquilo que está acontecendo ao redor dele no momento em que lê a Bíblia. Por isso, condição para poder captar a mensagem da Bíblia é procurar ter os mesmos óculos que teve o autor ao descreve-la.

 

O ângulo de visão da ciência moderna contradiz a visão da Bíblia?

               Ninguém pode proibir que nos coloquemos no ângulo de visão do historiador e que apliquemos à Bíblia os critérios da ciência moderna, a fim de chegar a um conhecimento histórico mais exato dos fatos ocorridos. Essa pesquisa foi feita. Os resultados a que se chegou são os seguintes: as pragas eram fenômenos naturais que costumavam acontecer na região do Nilo; a passagem do Mar Vermelho era possível por causa da maré baixa; o vento forte (cf. Ex 14 21) fez recuar a água num lugar onde já dava pé; o maná era uma espécie de resina comestível. São conclusões certas que não podemos negar. Essas coisas costumam acontecer no Egito, até hoje. Assim, a ciência explica os acontecimentos do êxodo de maneira natural e pode dizer: não se verificou nada de extraordinário. O que houve foi uma tentativa humana bem sucedida de libertação, como houve muitas, antes e depois de Moisés. Esta conclusão, à primeira vista, desnorteia.

               O resultado dessa pesquisa histórica, porém, situa-se na categoria de “fotografia”, que a Bíblia não nega, mas supõe, par dela poder tirar um raio-X que revela o outro lado da medalha: Deus estava no meio de tudo isso! A ciência, por sua vez, não pode negar sem mais as conclusões da Bíblia, pois tal negação ultrapassaria as suas premissas e a capacidade dos seus instrumentos de observação. Os instrumentos científicos não conseguem registrar a ação de Deus. Sua presença só é percebida por aquele que para Ele se abre com fé. Deus fica aquém e além da observação científica.

               Por isso, na Bíblia, há uma certa despreocupação pelo aspecto histórico material, pois os seus autores caem em repetições inúteis, em exageros e até em contradições, aumentam e diminuem, interpretam e mudam a perspectiva dos fatos. Tudo isso a ela não importa tanto. O que importa, é comunicar a mensagem profunda do fato: Deus estava presente e atuante naquela tentativa humana bem sucedida de libertação. Dessa maneira, ela quer abrir os nossos olhos sobre o que está acontecendo, hoje, ao nosso redor. As tentativas humanas de libertação se multiplicam em toda a parte. Não pensemos que tal ocorra fora de Deus ou que Deus não tenha nada a ver com isso.

               A olho nu não vejo os micróbios, mas verifico os resultados (as doenças), e, tendo o instrumento apto, posso ver os micróbios. Com a simples razão nada percebo de Deus no êxodo nem no mundo de hoje, mas verifico os resultados: um povo mais livre, mais humano, mais responsável, mais consciente; e tendo o instrumento apto da fé, posso perceber nisso um sinal da presença de Deus.

               Aquilo que aconteceu naquele tempo, acontece hoje e acontece sempre. Há uma terceira dimensão nos acontecimentos, que a olho nu não é visível. Acontece que aquele que se deixa marcar demasiadamente por um ângulo de visão das coisas perde a sensibilidade pelos outros. A quem só quer ver o lado “científico” se atrofia a percepção do lado escondido das coisas, apreendido pela poesia, pela arte, pelo canto, pela filosofia ou pela pintura. Assim, o fechamento do homem, dentro de si e das suas próprias conquistas científicas, pode atrofiar nele a abertura para Deus e levá-lo a não dar nenhuma importância à dimensão divina dos fatos que a fé revela. Muitas vezes, porém, a culpa não é da ciência, mas dos que professam a fé, pois pela vida que levam parecem dar a prova de que a fé, de fato, não contribui muito par o progresso e o crescimento da vida humana.

               A Bíblia, assim analisada, pode ser uma luz que nos ajuda a descobrir essa dimensão escondida da nossa vida. A narração do êxodo, em particular, pode revelar a presença atuante de Deus em determinados setores da vida humana onde comumente não procuramos tal presença.

              

O fato histórico do êxodo e a sua dimensão divina descoberta à luz da fé

               Tudo somado, para quem observa e estuda o fato do êxodo com critérios puramente humanos, houve uma tentativa bem sucedida de libertação do jugo de opressão que um homem, o faraó, impunha aos outros. Houve procura de liberdade e de independência. Houve muitos grupos que antes e depois de Moisés fizeram semelhantes tentativas. Os homens as continuam fazendo até o dia de hoje, pois o desejo da liberdade é o que mais fortemente se impõe.

               Colocando sobre tudo isso a luz da fé, a Bíblia traz a seguinte mensagem: relatando os acontecimentos históricos do êxodo e insistindo, não tanto no aspecto material dos fatos, mas na experiência vivida e concreta e na convicção certa e inabalável de que Deus estava presente e atuante naquela tentativa humana de libertação, a Bíblia considera tal esforço de libertação como manifestação da presença de Deus entre os homens e como início da estrada que conduz a Cristo e à ressurreição. Por meio desta descrição, a Bíblia traz fatos que hoje acontecem: onde existe um esforço sincero de libertação, seja no plano individual seja no plano coletivo, aí podemos reconhecer a voz amiga do nosso Deus libertador que chama e interpela; por aí passa, até hoje, o caminho que leva os homens para Cristo e para a plena ressurreição.

               Aqui surge uma dificuldade. Essa visão que a Bíblia oferece sobre a libertação do povo hebreu do Egito pode ter sido o resultado de uma auto-sugestão coletiva? Poder, pode, mas como explicar, então, os resultados (a doença) de outra maneira. Ora, os resultados que a história atesta são de natureza tal que nenhuma explicação a não ser aquela da própria Bíblia os esclarece satisfatoriamente. Nesse caso, a impossibilidade da ciência histórica de reduzir os resultados adequadamente a uma causa determinada depõe em favor da autenticidade da interpretação que o povo mesmo deu aos fatos por ele vividos, na hora da sua libertação do Egito.

               O resultado que a história verifica mas não consegue explicar satisfatoriamente é este. Na medida em que o povo caminhava, tornava-se mais livre, mais responsável, mais sensível aos problemas humanos, mais consciente, mais fraterno, tinha mais força e coragem para continuar pela estrada da vida, para levantar a cabeça, até hoje, onde outros sucumbiram. Tudo isso a Bíblia o registra e a investigação histórica o atesta. Esse resultado aparece na vida do povo e é por ele explicado como sendo uma conseqüência do êxodo e é interpretado como fruto da ação de Deus. Essa humanização progressiva da vida conseguiu impor-se, porque o horizonte que, a partir do êxodo, se abriu sobre o futuro do povo, ultrapassava a simples visão humana e se relacionava com Deus. Ora, se essa visão sobre a vida prestou um serviço tão grande ao homem onde outras visões fracassaram, então ela merece confiança, e não convém classificar como auto-sugestão coletiva a experiência com Deus que está na origem do povo e que levou o povo a conquistar a sua liberdade.

 

O êxodo: início de uma longa história de libertação.

               Há dois movimentos que correm paralelos na história do povo eleito. De um lado, existe a consciência progressiva da opressão, de outro – paralelo ao progresso da consciência de opressão – surge a libertação progressiva: uma vez conscientizado a respeito de sua situação, o povo desperta e empreende a ação libertadora como tarefa sua inalienável.

               A tomada de consciência começou onde a opressão era mais sentida: a opressão político-cultural. Mas, depois do êxodo, a ação conscientizadora de Deus, através de líderes por Ele escolhidos, continuou até atingir a raiz de toda opressão que é o egoísmo que leva a criar estruturas de opressão em todos os níveis da vida.

               E povo que estava preso 430 anos no Egito, experimenta a ação de Deus – a liberdade – no contato com Ele. Deus responde às preces do povo chamando e enviando Moisés para realizar a libertação.

               Apesar dos prodígios feitos por Deus em favor do povo, nota-se as artimanhas de Moisés para conseguir seu objetivo. Mas o mais importante é que a leitura deste texto quer provocar nos leitores o suscitar de uma fé viva, onde nós em nossa caminhada com os irmãos contemplaremos as maravilhas de Deus realizada no seu povo.

               Com essa visão da vida, adquirimos óculos novos para observar e perceber o verdadeiro alcance dos fatos que hoje acontecem. É no esforço vivido e calculado de libertação que Deus se deixou encontrar e se deixa encontrar ainda pelos homens, para poder levá-los para Cristo. Hoje, esse esforço tem os mais variados aspectos: vencer as limitações pessoais pelo estudo; vencer o vício que deprime; fazer a psicanálise que liberta de complexos e condicionamentos; o médico que liberta os outros da opressão dos males do corpo; contribuir para eliminar o analfabetismo; ensinar como praticar a higiene e plantar a horta; povos que se esforçam para ser livres do colonialismo e do imperialismo; tentar vencer as distâncias que são uma forma de opressão; operários que se unem em defesa dos seus direitos que não são respeitados; os povos que juntos elaboram a declaração dos direitos da pessoa humana; vencer, sobretudo todas as formas de egoísmo; denunciar as injustiças e torturas que se praticam contra as pessoas humanas; promover o desenvolvimento do povo. Milhares são as formas desse esforço gigantesco de libertação.

               Através de tudo isso, a humanidade faz o seu penoso caminho, o seu penoso êxodo, até conquistar a sua plena liberdade. Cada um tem o seu êxodo: o simples crescimento humano de criança para adulto como forma de vencer as limitações e de afirmar na vida; cada grupo, cada povo, tem o seu êxodo. A humanidade toda está envolvida no êxodo, ou, como diz o Concílio, está radicalmente comprometida com o “Mistério Pascal de Cristo”.  Em tudo isso, existe a brecha por onde Deus entra, se faz presente e atua em favor dos homens, e onde pode ser encontrado. Quem olha de fora, nada vê nem percebe, mas a visão de fé pode levar a descobrir aí, pela experiência vivida e sofrida, essa dimensão mais profunda de Deus.

               Deve-se concluir, então, que todas as ações, feitas em nome da liberdade, tenham a assinatura de Deus? Essa conclusão vai além das premissas. Há movimentos, ditos de libertação, que, em vez de levar à liberdade, levam a uma opressão maior enquanto levam ao ódio e ao fechamento egoístico dentro do grupo. Como discernir?

              

A história do êxodo como critério de discernimento

               Moisés foi educado na corte do faraó (Ex 2,5-10). Era costume naquele tempo formar rapazes dos países ocupados, nas escolas do Egito, a fim de que mais tarde servissem aos interesses do Egito. Moisés, porem, não conseguiu a carreira, porque o sangue foi mais forte que a carreira. Revoluto-se contra a situação aviltante em que se encontrava o seu povo, e matou um soldado (Ex 2,11-12). O faraó, provavelmente, se relaciona com uma tentativa fracassada para conquistar a liberdade. Teve que fugir

(Ex 2,14-22). No exílio, Deus o atinge de novo e o manda voltar para libertar o seu povo (Ex 2, 23-4,18). Após muita resistência, Moisés obedeceu e assumiu a missão. A liberdade pela qual ele vai lutar agora já não se define pelo seu aspecto puramente negativo – ficar livre da opressão política do faraó – mas recebe um conteúdo positivo. Que só luta para ficar livre de alguma coisa, só sabe o que não quer e caminha de costas para o futuro; não tem critério para orientar a sua ação para frente. A liberdade que agora aparece no horizonte de Moisés faz parte de um projeto que Deus temem vista: Deus quer libertar o povo do Egito para fazer dele o “seu povo” e para poder ser o “Deus do povo” (Ex 6,6-8). O povo deve ser livre para poder constituir-se povo de Deus; sabe o que não quer porque o que quer na vida; tem critério para orientar a sua ação para frente. Este objetivo é que vai orientar a atuação de Moisés e do povo, através de toda a sua história, e vai dar conteúdo e sentido a liberdade que almejam. Aquilo que não contribui para esse fim, não contribui para a liberdade. Percebe-se, assim, que a entrada de Deus na vida dos homens é uma luz que orienta e corrige ao mesmo tempo. A primeira correção ou conversão se deu na cabeça de Moisés: de matador torna-se conscientizador.

               Nem tudo que se faz em nome da liberdade conduz àquela liberdade que Deus quer para o seu povo. Por outro lado, nem sempre o esforço de libertação se faz de maneira pacífica, sem violência. Com efeito, a primeira reação, provocada pela atuação de Moisés, foi um endurecimento da opressão por parte do faraó (Ex 5, 1-18) e uma revolta do povo hebreu contra Moisés, o libertador, por ele ter despertado o ódio do faraó por ter colocado a espada na mão dos egípcios, para matar os hebreus (Ex 5, 19-21). Em vez de liberdade, veio uma pressão maior. Moisés se queixa (Ex 5, 22-6,1). O faraó se fecha mais ainda e resiste ao apelo que lhe foi feito (Ex 7, 13. 22; 8,15-19; 9,7. 12.35; 10,20. 27). Moisés tinha de vencer o medo e a apatia do povo. Teria de convencer o povo de que o endurecimento do faraó já era Deus agindo, preparando a libertação (Ex 7,3-5; 9,35; 10,20. 27). A atuação de Moisés consistia fundamentalmente em fazer com que o povo tomasse consciência da sua opressão e se decidisse a assumir o esforço de libertação como tarefa imposta por Deus. Interpretava os acontecimentos como sinais e apelos de Deus em favor do seu povo. Fazia os fatos falar. No fim, o faraó cedeu, o povo partiu (Ex 12,37). Começou a marcha para a liberdade, como sendo a marcha que Deus queria do povo. Mas é sempre uma marcha crítica e ambígua. No limiar da liberdade, tudo parecia fracassar. Encurralado entre o mar e o exército egípcio, o povo desanimou e revoltou-se contra Moisés (Ex 14,11-12). Moisés fez um apelo à fé, o povo continuou, a liberdade nasceu (Ex 14, 30). Revela-se nisso a fé do líder na causa que defende e promove. Ele a considera vitoriosa. Não foi Moisés que provocou a violência. Foi o faraó que não queria deixar partir o povo para a liberdade. Era mais cômodo para ele ter um povo de escravos a seu serviço.

                                                                                                                                                        

Celebrar a libertação que Deus concede

               A grande experiência do povo foi: Deus nos libertou! Somos o povo de Deus (Ex 19,4-6). Por causa disso, tudo que aconteceu era visto à luz dessa fé fundamental. Deus estava presente em tudo, orientando tudo para o bem do seu povo. Assim viu-se a orientação de Deus na astúcia humana que levou o povo a escolher um caminho menos perigoso em direção ao Mar Vermelho (Ex 13,17-18). Viu-se o dedo de Deus no vento forte que soprou a noite toda, levantando uma nuvem escura de areia (Ex 14,20-21) e facilitando assim a fuga, pois a maré era mais baixa e a tempestade de funcionava como uma espécie de cortina de fumaça que protegia a retirada. As pragas da natureza que costumam acontecer no Egito ajudaram a criar um clima geral de confusão que favoreceu a fuga para a liberdade. Vistas à luz do raio-X da fé, elas se tornaram, para Moisés e para os hebreus, uma revelação da ação libertadora de Deus. O povo e seu líder souberam captar os “sinais dos tempos” e corresponder, com toda a fidelidade, usando até artifícios estratégias à realização do objetivo de Deus.

               Tudo isso acontecer na noite de Páscoa. A páscoa era uma festa pastoril da primavera: passava-se sangue de um cabrito nas portas para se defender contra a influência dos maus espíritos. Por isso, nos anos seguintes, a Páscoa deixou de ser uma festa contra os maus espíritos, para tornar-se um “memorial” da libertação: recordava o que Deus tinha feito, oferecia ao povo uma oportunidade, cada vez renovada, para “engajar-se”, ano após ano, no projeto de libertação em andamento, e mantinha no povo a esperança da libertação total do futuro. Por isso, a vida daquele que crê em Deus e na sua promessa chama-se às vezes “vida pascal”, isto é, uma vida que passa sucessivamente da opressão para a liberdade. A páscoa de Cristo foi a verdadeira páscoa, enquanto passou da morte para a vida que dura sempre junto a Deus, onde, no contato com Ele, existe a verdadeira liberdade.

            O esforço de libertação e a preocupação de celebrar essa vitória foram o que mais caracterizou a história daquele povo.

 

O Novo Testamento.

Veremos a situação da Palestina na época de Jesus para entendermos o contexto em que  foi escrito o NT.

 

Situação política – A Palestina se encontra sob a dominação dos romanos desde 63 a.C. O rei Herodes conseguiu reunificar o reino, mas sempre sob a dominação de Roma.

            À morte de Herodes, seu reino será dividido em várias províncias, governadas por três de seus filhos. A partir do ano 6 da nossa era, a província da Judéia é administrada por um procurador romano: de 26 a 36 é Pôncio Pilatos.

         Os judeus suportam com dificuldade essa ocupação romana. Em 66, revoltam-se. Após um demorado assédio, Tito, o futuro imperador, toma Jerusalém em 70. O templo é destruído. Uma nova revolta, em 135, resultará na total destruição de Jerusalém.

           

Classes sociais:

            O povo simples vivia pobremente da lavoura e da criação de animais e da pesca no lago da Galiléia. É, às vezes, chamado, com desprezo, “o povo da terra”, porque pouco conhece da Lei.

            A classe média, composta sobretudo de artesãos e comerciantes ou de proprietários de imóveis, é pouco conhecida.

            Os escribas ou doutores da Lei, na maior parte leigos, consagram sua vida ao estudo da Escritura, exercendo ao mesmo tempo uma profissão. Sua influência é muito grande. A maioria deles são fariseus.

            Entre os sacerdotes devemos distinguir a casta dos chefes dos sacerdotes, em Jerusalém, aristocracia muito ciosa de seus privilégios. Os sacrifícios no templo, o comércio das peles, principalmente, garantem sua fortuna. São sobretudo saduceus e pouco estimados pelo povo. Os cerca de 18.000 sacerdotes e levitas (ou servidores do templo), pelo contrário, disseminados pelo país, são geralmente pobres e muito próximos do povo humilde.

            Os publicanos recolhem os impostos para os romanos. São mal vistos por colaborarem com o inimigo e se enriquecem freqüentemente nas costas do povo, aumentando seus impostos.

           

            Grupos religiosos.

            Os fariseus representam a verdadeira fé judaica. São muito santos e praticam a Lei com dedicação. A tentação que os espreita (como a todos os crentes) é de se apoiar sobre a própria santidade e méritos para se apresentar diante de Deus. São admirados pelo povo simples. São anti-romanos.

            Os saduceus, conservadores, só reconhecem como Escritura o Pentateuco, não acreditam na ressurreição. São de preferência pró-romanos.

Os essênios são uma espécie de monges que vivem em comunidade, em Qumrã, às margens do Mar Morto, orando e meditando as Escrituras. Foi descoberta sua biblioteca em 1947.

            Os samaritanos, separados dos judeus há muitos séculos, de raça muito misturada, são mal vistos pelos verdadeiros judeus, que suspeitam da sua fé.

 

Grupos políticos

            Os herodianos são poucos conhecidos. Sem dúvida, trata-se de partidários de Herodes Antipas (rei da Galiléia de 6 a 39) e apóiam o ocupante romano.

            Os zelotes só constituirão um grupo determinado antes da revolta de 66, da qual serão os principais responsáveis.

           

            Ambiente apocalíptico

            A corrente apocalíptica era uma das principais no ambiente religioso no séc. I a. C. e séc. I d. C. Vice-se na expectativa do fim dos tempos: Deus vai finalmente pôr um termo na história, estabelecendo seu Reino. Esta expectativa difusa comporta muitos matizes. Para muitos, esta vinda do Reino se fará pela intervenção do Messias (ou Cristo), que expulsará os romanos e restabelecerá Israel em seu poder político.

O NT não surgiu pronto e completo no início do cristianismo, sua formação pode ser resumida em três etapas:

→ registro da vida e pregação de Jesus: Jesus não escreveu, tudo o que sabemos dele foi seus amigos que escreveram. Embora soubesse escrever, Ele era o homem mais da fala e da ação do que da escrita.

→ registro do ensino oral dos apóstolos: os apóstolos começaram a pregar, transmitiam oralmente o que Jesus tinha feito e ensinado, as comunidades começaram a resumir e guardar tudo de mais importante, e colocar em prática o que era falado.

→ fixação da pregação dos apóstolos: a comunidade ia repetindo, contando e registrando e resumindo o que os apóstolos falavam e faziam, com isto ia se emoldurando os 27 livros que formam o NT.

         Nenhum escrito do NT contém notícias com respeito a data de sua redação.

            O NT fala da personalidade histórica de Jesus, mas não se pode resumí-lo somente a isso. O que interessava aos apóstolos na sua pregação e aos escritores neotestamentários na sua obra escrita, era o anúncio de uma mensagem de salvação. Estes escritos querem levar a uma tomada de posição, a um amadurecimento da fé.

            O NT divide-se assim:

1)      Evangelhos: Mateus, Marcos, Lucas e João.

São os quatro livros que vêm logo no começo do nosso NT. A palavra Evangelho quer dizer: Boa Nova, Boa Notícia.

Os Evangelhos proclamam como Boa Nova que Jesus é o Cristo, Salvador. Narram as ações e palavras de Jesus, mas do jeito como as diversas comunidades cristãs as refletiam. Assim temos, nos 4 Evangelhos, pontos de vista diferentes sobre a vida e a mensagem de Jesus.

Eles foram escritos bem depois das cartas de São Paulo, portanto o ambiente no qual eles surgiram constituem a Palestina, na Ásia Menor, na Grécia ou na Itália.

2)      História dos Apóstolos: Atos dos Apóstolos.

É um livro escrito por Lucas, o autor do 3º Evangelho. Ele narra a vida dos apóstolos, especialmente de Pedro e Paulo, suas atividades e pregações, desde a ressurreição de Jesus até a chegada do Evangelho à capital do Império – Roma.

Descreve também um pouco da vida das primeiras comunidades cristãs, para apresentá-las como modelo a ser seguido também pelos cristãos de outras épocas.

3) Leitura epistolar: são as cartas e epístolas endereçadas às comunidades.

            São atribuídas a Paulo 14 cartas, entretanto ele escreveu 7: 1º e 2º Rm, 1º e 2º Cor, Gl, Fl, 1º Ts; as outras podem ter sido escritas por seus discípulos.

            Das 14 cartas, 9 são atribuídas às comunidades cristãs: Rm, 1º e 2º Cor, Gl, Ef, Fl, Cl, 1º e 2º Ts.

         Três são dirigidas aos líderes ou pastores das comunidades, por isso são chamadas cartas Pastorais: 1º e 2º Tm e Tt.

            Há ainda uma carta dirigida à um cristão chamado Filêmon.

            A última carta é dirigida em geral aos hebreus.

            Ainda há 7 cartas católicas, que são destinadas a todas igrejas cristãs: Tg, 1 e 2 Pd, 1,2 e 3 Jo, Jd.

As cartas são mais antigas que os Evangelhos, a mais antiga e o mais antigo livro do NT é a carta aos Tessalonicenses.

4) Apocalipse: este livro é atribuído a João. O autor desse livro deseja sustentar a fé dos primeiros cristãos e encorajá-los a suportar com firmeza as primeiras perseguições, principalmente as de Nero e Domiciano.

            O autor usa linguagem simbólica, mas que é entendida pelos cristãos, não anuncia desgraça e não é um livro de mistérios, pelo contrário, é um livro que conforta e dá coragem. É o último livro da Bíblia.

 

Mateus: “O Emanuel – Deus está conosco”.

         O autor deste Evangelho, ao denominamos Mateus, é um escritor que usa processos estilísticos diferentes daqueles dos outros evangelistas, e também um teólogo que sintetiza a mensagem vivida em sua comunidade e a proclama a esta mesma comunidade.

            Como todos os autores, ele usa um estilo e processos semíticos, herdados de uma tradição preexistente e reinterpretados em nova redação.

         O que é mais notável no primeiro evangelista é o uso freqüente que ele faz do AT. O autor se refere a Escritura pelo menos em 130 passagens; destas, 43 são citações precisas.

         Quanto a língua, Papias, bispo de Hieropólis, na Ásia Menor, diz que ele escreveu seu texto em hebraico.

            Este Evangelho foi escrito em primeiro lugar para as comunidades cristãs da Síria e do Norte da Palestina, às quais o próprio autor pertencia. E esta comunidade nos parece estranhamente próxima de nossa Igreja pós – Vaticano II, com sua organização institucional, sua liturgia, seus dois mil anos de tradição.     

Trata- se de uma comunidade cujo comportamento é marcado por tradições judaicas, particularmente no que diz respeito à liturgia. Por outro lado, o autor é provavelmente judeu pelo nascimento, pela educação e pela cultura. Ele se esforça por enquadrar em ambiente judaico as narrativas, o material e os documentos que conseguiu recolher sobre a vida de Jesus, já elaborados e comentados no seio das Igrejas cristãs.

         Mateus apresenta Jesus como o Emanuel – o Deus Conosco. Ele é o messias que realiza todas as promessas feitas no AT. Essa realização ultrapassa as expectativas puramente terrenas e materiais dos contemporâneos de Jesus, que esperavam apenas um rei nacionalista para libertá-los da dominação romana. A comunidade por sua vez, reconhece em Jesus o novo Moisés.

            Assim como Mateus vê atrás dos discípulos a imagem da comunidade, de maneira análoga ele ultrapassa a imagem de Jesus histórico para chegar ao Senhor vivo da comunidade. É sempre partindo da experiência do Senhor que vive na comunidade, que Mateus faz a exposição das tradições relativas a Jesus.

            Assim está o Evangelho:

Prólogo – O mistério de Jesus: seu ser e sua missão à luz da ressurreição e da vida da Igreja – ou as narrações da infância (1-2).

 

1ª parte: Jesus proclama o Reino de Deus e prepara a Igreja (3-16): episódio central do AT ao NT (3-4).

 

1º O Reino de Deus chegou! (5-7).

● o sermão da montanha (5-7)                                    palavras e atos de poder.

● dez milagres (8-9)

 

2º Jesus envia seus discípulos a pregar e parte ele mesmo pra pregar o Reino (10-12).

● discurso da missão (10).

● Jesus parte em missão (11-12).      

 

3º A escolha decisiva diante da pregação do Reino ( 13,1-16, 12).

● discurso das 7 parábolas (13, 1-52).

● a caminho da confissão de Cesaréia (13,53-16,12).

 

2ª parte: A comunidade no Reino de Deus (17-28): episódio central  ► a comunidade confessa seu Senhor (16,13-17,27).

 

4º O Reino de Deus passa do povo judeu pra a Igreja (18-23).

● discurso sobre a vida em comunidade (18).

● da Galiléia a Jerusalém ( 19-23).

  

5º A inauguração do Reino de Deus no mistério pascal (24-28).

● anúncio da vida definitiva do reino em Jesus (24-25).

● o mistério pascal inaugura o Reino (26-28).

            São cinco discursos que estão divididos por dois episódios centrais, que por sua vez dividem o Evangelho em duas grandes partes.     

                           

Marcos: Jesus é o Messias, o Filho de Deus.

O segundo Evangelho, na realidade o mais antigo, é tradicionalmente atribuído a Marcos. Ele escrevera – depois de ter sido discípulo de Barnabé e de Paulo – a catequese de São Pedro. Escreveu pouco antes da queda de Jerusalém em 70 dC, em Roma.

Marcos é original. Ele escreve um evangelho. Para ele o evangelho é Jesus presente atualmente onde ele é proclamado pela palavra da Igreja. Assim, o Evangelho é o anúncio que torna Cristo, morto e ressuscitado, atuante e presente.

Ele escreve o evangelho a fim de preparar a pergunta: “Que dizem os homens que eu sou?”, e dar os elementos de uma resposta de fé semelhante à de Pedro. Sua intenção é, portanto, uma proclamação de fé em Jesus, única possibilidade de salvação, e de aceitação do mistério do Reino de Deus.

Ao escrevê-lo, o escritor fez uma composição teológica, a fim de mostrar o sentido da pessoa e missão de Jesus. Sua proclamação, que visa como dissemos suscitar a fé, desenvolve-se num dinamismo bem arquitetado.

Assim se divide o Evangelho:

I – A proclamação inicial (1,1–13).

II – O poder de Jesus e a cegueira do mundo (1,14–3,6).

III – Parábolas e sinais diante da cegueira do mundo (3,7-6,6a).

IV – Atividade de Jesus entre os pagãos e cegueira dos seus discípulos (6,6b-).

                                                                                                                         8,26).

V – Revelação de Jesus aos discípulos que o seguem  ( 8,27-10,52).

VI – Paixão e ressurreição do Filho do Homem [ 11,1-16,8  (9-20)].

            Em relação a origem do livro, por volta do ano 150, Pápias atesta a atribuição do segundo Evangelho a Marcos, intérprete de Pedro em Roma. O livro teria sido composto em Roma, depois da morte de Pedro ou ainda durante sua vida.

Admite-se comumente a origem romana do livro, depois da perseguição de Nero em 64. Disto podem servir de indícios certas palavras latinas grecizadas, várias construções de frases tipicamente latinas. Quanto menos o cuidado de explicar os costumes judaicos, de traduzir as palavras aramaicas, de frisar o alcance do Evangelho aos pagãos supõem que o livro se destina a não – judeus, fora da Palestina.

Quanto a Marcos, foi identificado com João Marcos, originário de Jerusalém (At 12,12), companheiro de Paulo e Barnabé (At 12,25; 13,5. 13; 15,37-39; Cl l4, 10) e, a seguir, de Pedro em Babilônia – provavelmente em Roma – segundo 1Pd 5,13.     

 

Lucas: o Filho de Deus Salvador de todos os homens.

         O terceiro evangelho, atribuído à Lucas desde o fim do séc. II, tem várias características:

● é o único evangelho que tem continuação em um segundo livro, os At.

● por sua língua e seu estilo, por seu modo de escrever e por sua mentalidade, a obra de Lucas pertence ao mundo helenístico.

● Lucas usa sem dúvidas,  materiais da tradição, mas redige-os, depois de tê-lo selecionado e organizado.

            Comparando o evangelho de Lucas com o de Mateus e, sobretudo com o Marcos, descobrimos alguns traços que lhe são próprios:

● sua língua: muito variada, é bem mais grega, pelo menos nas narrativas, sendo entretanto, acentuadamente mais semítica nas palavras de Jesus.

● estrutura com clareza seu escrito.

● estrutura o seu evangelho de um modo original.

         Lucas é o único dos quatro evangelistas a iniciar seu livro com um prólogo, no qual explica seu objetivo e o método seguido para levá-lo a termo.

            Ele escreve para o mundo grego de seu tempo e se apresenta como um historiador da época, com sua referência aos seus antecessores, com sua pesquisa das fontes e com sua preocupação de ordem na exposição.

            Dedica seu livro a um certo Teófilo (Lc 1,3; At1, 1-2), certamente uma pessoa de posição, um mecenas de influência que certamente teria patrocinado a produção e a difusão da obra de Lucas, segundo o costume daquela época. Contudo é lendo sua obra que encontraremos os verdadeiros destinatários.

Provavelmente foi escrito nos anos 80 ou 90 dC.

Assim está dividida sua obra:

Prólogo: (1,1-4).

 

I – Preparação (1,5-4,13): revelação do mistério de Jesus.

1 – Duas infâncias (1,5-2,52) → João Batista e Jesus.

2 – Preparação da missão de Jesus (3,1-4,13).

 

II – Realização (4,14-24,53): a atividade libertadora de Jesus.

1 – Na Galiléia → Jesus na periferia do povo (4,14-9,50).

2 – Em viagem para Jerusalém → da periferia para o centro (9,51-19,28).

3 – Em Jerusalém: confronto com os poderosos (19,29-24,53).

a)      Confronto com as estruturas e poderes da cidade (19,29-21,38)

b) Conseqüência do confronto (22-23).

c)  A glória de Jesus (24).

Quem está por trás deste evangelho, a Igreja desde o séc. II, afirma que é o medico Lucas. Nos escritos de Paulo encontramos esse nome citado 3 vezes: Cl 4,14; 2Tm 4,11; Fl 24. Lucas seria o “querido médico” que acompanhava Paulo em suas viagens e com ele esteve preso nas perseguições.

Era, portanto um cristão de língua grega (talvez convertido por seu amigo Paulo), que escreve em Antioquia (Síria) ou na Ásia Menor (Turquia).

 

 

Os Atos dos Apóstolos: O caminho da Salvação

            O livro dos Atos dos Apóstolos foi escrito provavelmente entre 80 e 90 d.C. Seu autor é o mesmo do terceiro evangelho, desde o séc. II, a tradição o identifica com Lucas, o médico que acompanhou Paulo.

            A obra lucana é constituída portanto de dois volumes intrinsecamente unidos: o terceiro evangelho (1º volume) e Atos (2º volume). Antes de ser colocado no cânon bíblico, os dois volumes, Lucas e Atos, constituíam uma obra única. Na organização do cânon bíblico optou-se por colocar juntos os quatro evangelhos. O acréscimo do quarto evangelho, João, acabou separando a obra lucana. Mas Lucas e atos revelam-se intimamente interligados.

            Atos dos Apóstolos descreve a expansão do Evangelho (Boa Notícia) de Jerusalém até Roma: os confins da Terra (At 1,8)

            Enquanto o Evangelho de Lucas apresenta o caminho de Jesus, o livro de Atos apresenta o caminho da Igreja, que prolonga o caminho de Jesus “até os extremos da terra”. Em atos, a Igreja aparece como dinamismo polarizado no testemunho e na missão.

            Para os Atos, o que desde a Ressurreição se vê e se ouve continua, portanto, a cumprir as profecias. Deus fica sendo sempre o autor principal; e, tornado invisível, Jesus não deixa de ser, com ele, o centro dos acontecimentos: a sua missão continua, ele deixa o Espírito que anima a vida da Igreja e “anuncia” em pessoa, através de Paulo, “a luz ao povo e as nações”. Tudo indica que Lucas escreveu para um público cristão, em grego clássico.

            Podemos assim dividir o livro:

I – Origens da Igreja de Jerusalém

II – Perseguição e missão: de Jerusalém a Antioquia

III – Primeira viagem missionária e concílio de Jerusalém.

IV – Grandes viagens missionárias: fundação das Igrejas na Grécia/Ásia

V – Paulo prisioneiro de Cristo: de Jerusalém a Roma.

            O livro não está interessado primeiramente em registrar fatos e acontecimentos sobre a Igreja nascente, e sim mostrar o que é essa Igreja, sua identidade e seus problemas. Os acontecimentos servem para ele ir mostrando o que entende por Igreja.

         O autor ao elaborar estas duas obras queria oferecer aos seus destinatários uma visão completa de como a salvação que Deus oferece se manifesta e se realiza na história.

 

Paulo: sua vida.

            A sua genealogia (da tribo de Benjamim) e sua rápida agregação à lei (circuncidado ao oitavo dia) aparecem em Fl 3,5.

            Se acrescentarmos a isso que esse fato ocorreu em Tarso da Cilícia, conforme nos diz At 9,11-30; 11,25; 21,39; 22, três, os dados implicam uma forte adesão à lei por parte dos pais de Paulo: pois na Diáspora, muitos judeus, por considerações sociais, retardavam a circuncisão de seus filhos, ou renunciavam-na; por outra parte, poucos eram, inclusive na Palestina, os que podiam apresentar uma genealogia que os inserisse em uma das doze tribos de Israel.

            O nome de Saul, transformado em “Saulo” (Paulo), aparece somente em Atos (Saul em 9,4-17; 22, 7-13; 26,14; Saulo em 7,58; 8,1-3; 9,1-8.11.22.24; 11,25-30; 12,25; 13,1.2.7.9). Ajusta-se perfeitamente a um judeu da tribo de Benjamim (à qual pertencera o rei Saul), nascido numa família observante. A existência do outro nome também costuma ser reconhecida pelos autores. Os Atos são suficientes (ver cap. 11-13) para deduzir que o apóstolo não perdeu este nome no momento da conversão, mas deixou-o reservado para as suas relações com os judeus (isto ocorre nas cartas).

            O nome de Paulo é o único que as cartas nos transmitem. É um nome latino que nos orienta par uma possível cidadania romana.

            Paulo mostra um profundo conhecimento da língua e dos costumes gregos, inclusive uma certa familiaridade com as convenções teóricas. A sua Bíblia é, evidentemente, a tradução grega dos Setenta.

            Uma longa permanência em Jerusalém, realizando estudos primários e superiores (de rabinismo), teria implicado conhecer Cristo durante o seu ministério ou receber algum impacto direto de sua paixão.

            A carta aos Gálatas nos apresenta a juventude de Paulo como um verdadeiro judeu da Diáspora.

            A conversão de Saulo para Paulo é um grande fenômeno que acontece em sua vida. Ele se transformou num grande evangelizador e missionário. Faz varias viagens para proclamar as maravilhas de Deus que se manifestou em Jesus Cristo.

            O apóstolo morre em Roma na época de Nero, o problema é saber se foi ali julgado e condenado à morte, ou então, depois de 2 anos de prisão domiciliar (At 28,30s), foi libertado e teve a oportunidade de cumprir o seu plano de evangelização na península Hispânica (Rm 15,24.28).

            Sem sombra de dúvidas Paulo foi aquele que se empenhou dando tudo de si mesmo para proclamar a Boa Nova. Não é sem razão que a Igreja o coloca como uma das grandes pilastras do cristianismo (catolicismo).

 

João: Alimentar a fé em Jesus Cristo.

O evangelho de João é um dos últimos do NT. Acredita-se que tenha surgido na cidade de Éfeso. Como aconteceu com os demais evangelhos, o de João é resultado de muitas lutas e conquistas de uma ou mais comunidades. Tradicionalmente aceita-se como autor desse evangelho o Discípulo Amado, figura que não aparece comesse nome e características nos outros evangelhos. O Discípulo Amado foi identificado com João. Todavia, o evangelho não é fruto do esforço de uma pessoa isolada. Por trás desse evangelho está uma comunidade que nasceu de modo simples, foi crescendo e adquirindo um jeito próprio de ser e agir.

Não sabemos exatamente quando esta comunidade começou a existir. Ela se formou alguns anos depois da ressurreição de Jesus, e a princípio compunha-se de judeus convertidos a Jesus. Inicio, portanto, como a maioria das primeiras comunidades cristãs.

O Evangelho de João possui duas partes. Antes da primeira se encontra o Epílogo (1,1-18) no qual ele apresenta Jesus como palavra de Deus, anunciada e testemunhada por João Batista.

A primeira (1,19 – 12,50), caracteriza-se como “O Livro dos Sinais”, o que nos sinóticos é apresentado como milagres.

A segunda (13,1 – 20,29), apresenta-se “O Grande Sinal”, considerado a hora de Jesus, sua páscoa ou livro da glória.

No Epílogo (20,30-31) está a primeira conclusão de seu evangelho. Nele, o evangelho afirma a existência de vários outros sinais que não foram escritos. Ele ateve aos sete que simbolizam a totalidade.

O Apêndice, cap.21, é um acréscimo feito por ocasião em que as comunidades joaninas pediram a intervenção da comunidade dos apóstolos para a solução de seus conflitos.

João refere-se aos acontecimentos da vida de Jesus como, sinais, por estes significarem indicação para percorrer o caminho de uma realidade mais profunda. Seu objetivo é suscitar a fé em Jesus, mostrando quem Ele é, para que veio e como devem agir aqueles que o seguem.

Em cada sinal existe uma carência. Jesus vem saná-las.  

 

Apocalipse: a Revelação.

Ao abrir o Apocalipse ficamos impressionados. Muita gente se assusta e desiste. Alguns pensam que o fim do mundo está perto. Outros utilizam este livro para condenar pessoas e religiões. Outros, ainda, acham que o livro aconselha os empobrecidos a desistir da luta, pois é só na outra vida é que as coisas poderão ser mudadas.

Etimologicamente, o vocábulo apocalipse vem do grego apokalyptein, que significa “tirar o véu”; um apocalipse é uma revelação. A literatura apocalíptica, portanto, vincula-se a tradição profética, da qual constitui um desenvolvimento particular. Sua influência na literatura bíblica e parabíblica manifesta-se especialmente a partir do séc. II a.C, mas já s e encontra antecipações em Ezequiel, Joel, Zacarias e Isaías.

Para podermos interpretar bem o Apocalipse é preciso que nos situemos dentro de uma corrente da literatura apocalíptica que floresceu entre os séculos II a.C a I a.C.

O caráter revolucionário e subversivo dos textos apocalípticos obrigava seus autores a utilizar uma linguagem críptica, cifrada, inteligível somente para os membros da respectiva comunidade, mas não para os espiões e censores do Império do momento, no caso do Apocalipse o Império Romano.

A linguagem simbólica é um dos aspectos mais específicos da literatura apocalíptica e contribui para convertê-la em literatura cifrada, no Apocalipse as imagens são tomadas, freqüentemente, do AT.

Os símbolos podem conter imagens complicadas freqüentemente barrocas, tiradas da natureza (animais e plantas) ou da arte (estátuas, pensar em Dn). De fato, o ponto de partida do simbolismo apocalíptico é o sonho, que no mundo bíblico é interpretado como uma revelação de Deus.

A linguagem simbólica, além de ser mais sugestiva, tem a vantagem de universalizar a mensagem, pois é válida pra todas as épocas.

As cores também são simbólicas:

▬ O branco: significa vitória ou glória dos eleitos que participam da vida de Deus, a eternidade do personagem.

▬ O vermelho fogo: sangue, assassinato, violência

▬ A serpente: diabo= diablos=divisão.

▬ Cavalo de cor preta: o sofrimento que a inflação comporta.

▬ Cavalo esverdeado: símbolo da morte e da peste.

▬ Chifres: poder.

Todos os símbolos têm para o autor uma função eminentemente religiosa-política.

Os números são uma das chaves fundamentais para interpretar o pensamento apocalíptico e põem em realce a sistematização própria do gênero. O nº 7 aparece 54 vezes, o 12 aparece 23 vezes, o 4 aparece 16 vezes, o 3 aparece 11, o 10 encontra-se 10 vezes, o 1000 aparece 6. Com isso indica a certeza de que Deus governa o mundo.

No livro o 7 é o mais importante, significa plenitude. O 3 também é plenitude que é somente usado para Deus, o 4 representa o mundo criado, os 4 pontos cardeais.  

E quanto ao nº 666, o nome do imperador Nero em hebraico representado pelas letras/números é:

N = 50

R = 200

W = 6

N = 50

O = 100

S = 60

R = 200

       666          

O livro está assim dividido:

Prólogo: ( 1,1-3)

 

                                             Saudação às comunidades em forma de dialogo: 1,4-8.

I Parte: (1,4-3,22)                 Experiência de Jesus ressuscitado: 1,9-20.

                                             7 cartas às 7 comunidades: 2,1-3,22.

 

II Parte: (4,1-22,5).

1ª seção (4,1-5,14) → Seção introdutória: o trono, o cordeiro, o livro com 7 selos são os pontos importantes.

2ª seção (6,1-7,17) → Seção dos selos: abertura dos 4 primeiros selos, clamor dos mártires (5º selo) e resposta de Deus ao clamor ( 6º selo).

3ª seção (8,1-11,14) → Seção das trombetas:o toque da trombeta anuncia o julgamento de Deus .

4ª seção (11,15-16,16) → Seção dos três sinais: 1º sinal ( mulher, 12,1), 2º sinal (dragão 12,3), 3º sinal (os 7 anjos com as 7 pragas 15,1).

5ª seção (16,17-22,5) → Seção conclusiva: Cristo julga e vence as forcas do mal e prepara a vitória das comunidades – esposa do Cordeiro.

 

Epílogo: (22,6-21).

            O apocalipse mostra que nossa história e caminhada têm um final feliz. Já que nas primeiras palavras se fala de uma época que está acabando para dar início a novo céu e nova terra. É o sonho das comunidades; é sua esperança que vai abrindo espaços pr meio da resistência, denuncia, celebração e martíria.             

 

 

BIBLIOGRAFIA

 

Bíblias:

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Bíblia Peregrino – Editora Paulinas.

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   Paulinas.

 

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   Paulinas.

 

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   Paulinas.

 

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   Paulus.

 

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SCHLAEPFER, Carlos Frederico – A Bíblia: Introdução Historiográfica e Literária – Petrópolis, RJ: Editora Vozes, 2004.

 

FILMES:

 

Bíblia ontem e hoje, Paulinas.

Apocalipse, Paulus

Moisés, BBC.

 

MATERIAL DE APOIO
Documento 86 da CNBB.

                                       

 Autor: Eldécio Luiz da Silva, Diocese de Caratinga do regional Leste II

 
 
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